
O clima no Palácio dos Leões segue tenso e a temperatura só aumentando com mais uma canetada certeira do governador Carlos Brandão (PSB). Desta vez, quem sentiu o bafo do “jacaré” foi Odair José Neves dos Santos, ex-assessor especial da Secretaria de Estado da Educação e aliado histórico do ministro do STF e ex-governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB).
A exoneração de Odair José, publicada na última sexta-feira (29), pegou muitos de surpresa no meio político. Mas para os mais atentos, o movimento é apenas mais uma peça no jogo de xadrez que o governador Carlos Brandão vem montando desde que assumiu o comando definitivo do governo estadual, um jogo que tem como alvo direto os remanescentes do “comunismo maranhense” que ainda resistem em cargos estratégicos.
Com um histórico de serviços prestados à gestão Flávio Dino, Odair não era qualquer figura na máquina pública. Passou por cargos de destaque como secretário-adjunto de Planejamento, presidente da Comissão Central de Licitação (CCL) e diretor da EGMA, todos postos-chave durante o domínio do PCdoB no governo.
A exoneração, portanto, não é apenas administrativa; é política e simbólica. Trata-se de mais um recado claro do governador Carlos Brandão: o tempo dos comunistas no governo estadual está chegando ao fim, e não há espaço para lealdades antigas no novo desenho político que se consolida no Maranhão.
Essa movimentação também lança uma sombra sobre o relacionamento com o vice-governador Felipe Camarão (PT), que tem se mantido fiel aos aliados de Dino. Com cada exoneração, o governador parece se distanciar ainda mais do grupo político que o ajudou a chegar ao poder, sinalizando uma possível remontagem de sua base governista com vistas às eleições de 2026.
Odair José é considerado um nome de confiança do deputado federal Márcio Jerry, comandante do PCdoB no estado e um dos últimos bastiões do “comunismo raiz” que dominou o Maranhão por quase uma década. A saída de Odair fragiliza ainda mais a presença do partido na estrutura estadual e fortalece a impressão de que Brandão deseja mais independência política do que alguns esperavam.
O jacaré segue faminto
A verdade é que o “jacaré” de Brandão segue engolindo, um a um, os antigos aliados do campo dinista, deixando claro que a aliança formada em tempos eleitorais talvez não sobreviva intacta ao calor da governabilidade.
Agora só saber quem será o próximo na fila da degola e até onde Brandão está disposto a ir para consolidar sua própria identidade política.