
Menos de 24 horas após este Blog ter denunciado a sessão relâmpago realizada na última quinta-feira (21/08), um detalhe chamou à atenção e ajuda a explicar por que a reunião da Câmara Municipal de Presidente Dutra durou menos de uma hora: os vereadores, supostamente em conluio entre situação e oposição, teriam feito um “acordão” para “blindar” a deputada estadual Daniela (PSB), alvo recente da Polícia Federal. Os vereadores negam, mas que foi estranho ninguém tocar no assunto, isso foi.
Na segunda-feira (18) anterior à sessão, Daniela e o marido Fábio Gentil, ex-prefeito de Caxias, foram alvos da Operação Lei do Retorno, que investiga desvios milionários de recursos do FUNDEB, valores que, segundo a PF, ultrapassam R$ 50 milhões de reais. Ao invés de cobrar explicações de Daniela – que foi votada duas vezes em Presidente Dutra – como esperava a população, os parlamentares municipais, simplesmente preferiram o silêncio ensurdecedor.
Segundo informações obtidas por este Blog, a sessão curta seria apenas uma manobra para evitar que o caso tomasse um proporção ainda maior ecoada nos discursos na Câmara Municipal. Um pacto de silêncio teria sido firmado entre vereadores governistas e oposicionistas, deixando claro que, quando se trata de proteger aliados e figurões políticos, não existe lado A ou lado B.
Não é segredo para ninguém que muitos vereadores da atual legislatura se aliaram à deputada. Entre os que tiveram laços com Daniela estão:
Wallas Alves, Fernando Sereno, Eliete Moraes, Tom Santos, Franklim Torres (vereador licenciado e atualmente Secretário de Assistência Social), Zinaldo Bezerra e o ex-vereador Aristeu Nunes (hoje vice-prefeito), que a apoiaram em 2022; e os chamados “neo-danielistas” Juran Carvalho, Adonias Colméia, Mano do Pingo de Gente e Airton Nutrilar, que estavam alinhados a ela na eleição de 2024.
Com esse histórico, não causa surpresa que a Câmara Municipal de Presidente Dutra tenha se transformado em palco de blindagem política. O que deveria ser uma casa de cobrança, fiscalização e de defesa da população virou, mais uma vez, instrumento de conveniência política.
Enquanto a Polícia Federal apura o rombo milionário em recursos que deveriam estar sendo usados na educação, os “briosos” vereadores de Presidente Dutra, supostamente optaram pelo silêncio. Não se trata de mera omissão: trata-se de cumplicidade política, um verdadeiro escárnio contra quem paga impostos e confia na atuação do Legislativo municipal.
Já a população, tem o direito de perguntar: os vereadores estão na Câmara Municipal de Presidente Dutra para defender o povo ou para acobertar malfeitos de políticos investigados?