Opinião.

Tem coisa que nem precisa de muito esforço pra parecer ridícula, basta deixar que certos vereadores abram a boca e falem por si. Foi exatamente isso que aconteceu na sessão da Câmara Municipal de Presidente Dutra na manhã desta última quinta-feira (16/04) quando os vereadores Edno Melo, Fernando Sereno, Gizélia Albuquerque e Ricardo Lucena resolveram subir o tom e criticar a gestão do aliado prefeito Raimundinho da Audiolar. O problema não é criticar, isso faz parte do jogo democrático. O problema é quem está criticando e de que lugar estão fazendo as críticas.
A cena foi patética. Os quatro vereadores que desde sempre orbitam em torno da estrutura da prefeitura, se benefiando de indicações, cargos e todo tipo de “facilidade”, agora tentam vender pra população uma imagem de independência. Independência exatamente de quê, ô cara pálida? Porque, na prática, vocês continuam agarrados às mesmas benesses da gestão municipal que agora fingem ignorar em público.
Para alguns políticos ouvidos pelo Blog, o grande problema, é que a população não é idiota e está vacinada contra esse tipo de político oportunista e sabe muito bem que esses quatro só chegaram onde chegaram com apoio político e financeiro de Raimundinho da Audiolar. Não foi milagre, nem voto espontâneo surgido assim do nada. Houve estrutura, articulação e investimento. E agora, como num passe de mágica, resolvem morder a mão que os ajudou; mas sem querer largar o “osso“, é claro.
E por falar nisso, o discurso de “vereador independente” até poderia colar… se viesse acompanhado de coerência. Mas não. Continuam com seus indicados bem acomodados em cargos na prefeitura, continuam usufruindo dos espaços que a gestão municipal oferece, e ainda querem posar de fiscais implacáveis. Fica difícil levar a loucura dessa turma a sério, né?
Aí, diante desse turbilhão de insanidades, surge a pergunta que está nas ruas e na boca do povo: “é pra isso que um vereador recebe cerca de 12 mil reais mensais, pra “trabalhar” 12 horas por mês, para encenar esse teatro macabro e mal ensaiado?” Porque, do jeito que os tais vereadores estão se comportando, mais parece birra e “chôrôrô”, do que compromisso real com a população.
As críticas direcionadas ao prefeito Raimundinho da Audiolar e à primeira-dama Fabiana Carvalho soam menos como cobrança legítima e mais como reclamação de quem não teve um pedido atendido na hora que queria e como queria. Simples assim. Ainda mais no momento em que, ao que tudo indica, a população de Presidente Dutra resolveu acordar e acabar com a figura do “vereador atravessador”, que é aquele que fazia questão de intermediar tudo só pra se sair como salvador da pátria. Pura tolice.
Hoje, com o cidadão politizado e tendo acesso mais direto ao prefeito e à primeira-dama, esse tipo de político oportunista aos poucos vem caindo em desgraça. E talvez seja isso que realmente esteja incomodando as quatro criaturas.
No fim das contas, o que se viu mesmo nesta sessão ordinária, literalmente ordinária, foi um roteiro velho e surrado: vereadores que cresceram, se elegeram e reelegeram com ajuda, se beneficiaram ao máximo e agora tentam se reinventar como se fossem paladinos da independência e da moralidade; delírio tresloucado de quem acredita que a memória da população não funciona. Só que funciona. E muito bem.
Como dizia minha avó: “cuspir no prato que comeu e ainda come, é feio”. Agora, cuspir e continuar sentado à mesa, pedindo mais, aí já é pura cara de pau que vira piada pronta.